terça-feira, 14 de agosto de 2012

Fru-talidades.

"Senhoras e senhores, meninos e meninas, cães e outros bichos, fechos éclair e alfaces temperadas:
Bem-vindos ao circo que é este Mundo!"
E ainda bem que se fala em alface, porque o tema hoje é justamente... fruta. Pronto, podia ter sido uma conexão melhor. Peço desculpa.
Se o leitor me conhece - e se me conhece pessoalmente, os meus pêsames -, saberá que eu sou um indivíduo. Mais do que isso, sou um indivíduo que odeia injustiças, principalmente quando causadas por pessoas soberbas e que se armam em Michael Phelps da piscina que é o quotidiano quando nada mais são do que peixinhos dourados do aquário que é a sua vida privada. E se há algo que me irrita mais do que pessoas soberbas, são frutas que não sabem estar. Frutas que não sabem viver em comunidade "frutífera", que aproveitam toda e qualquer oportunidade para se engrandecerem em detrimento das outras. E sem mais delongas (palavra gira...), apresento-vos a fruta em questão: o morango. E vêm vocês com as queixas do costume: que o morango é bom, que o morango é saudável, que o morango até nem tem caroço, que o morango conduz um descapotável para ir passear aos Domingos à tarde... Não quero saber! O morango, meus amigos que eu provavelmente nem conheço, é, para todos os efeitos, má-pessoa... ou fruto, vá.
E passo a explicar: na sociedade de hoje, qual é a fruta cujo sabor é mais conhecido? Serão a maçã ou a laranja, produtos tão comuns e de relativamente fácil acesso à maior parte das pessoas? Será a banana, já mais difícil de encontrar mas mesmo assim muito comum, e até popular, no mundo dos macacos e dos controladores de qualidade das empresas de preservativos? Não, claro que não! É o morango que faz questão de arrebatar tudo o que é produto, comestível ou não, e meter-se lá dentro, obrigando-nos a levar com o seu sabor! Sim, eu sei que esta última parte foi um bocado badalhoca, mas a verdade tem que ser dita, meus caros.
Quem foi que autorizou o morango a ser o sabor standard de (quase) tudo o que existe? Porque é que os iogurtes, os gelados, os bolos e os pensos higiénicos (a julgar pela cor, nunca provei...) têm que saber a morango e não podem simplesmente saber a iogurte, gelado, bolo, ou... isso? Quem disse ao morango que ele era mais do que as outras frutas, que merecia mais reconhecimento do que os seus pares? É uma nova revolução das frutas que queremos, tal como a antiga, e provavelmente já esquecida, "Tomada da Frutaria de '62"?
A única razão pela qual poderia sequer pensar em nutrir o mínimo de respeito pelo morango prender-se-ia com o facto de, apesar da sua pequena e fraca estatura, possuir uma enorme capacidade de persuasão. De que outra forma conseguiria convencer todos os produtores de... coisas que o seu sabor era o mais adequado para as suas... coisas? De facto, o morango é aquele tipo de fruto que, num confronto directo com um ananás, por exemplo, bastaria este último encostar-se a ele e teríamos puré de morango com uma pitada de fanfarronice. Mas, no entanto, todos parecem babar-se perante a hegemonia "moranguista" que por aí reina! E quando se começa a babar, é sinal que algo não está bem. Perguntem ao meu tio-avô.
Deixem-se de favoritismos, pelo menos no que toca à fruta. Não deixem que seja uma só fruta a possuir o monopólio do paladar humano, dêem oportunidade a frutas emergentes, e até mesmo às antigas, de fazerem o seu papel no panorama dos sabores. Dão dinamismo aos vossos produtos - no meu caso, sinceramente, já estou tão enjoado de coisas de morango que já nem as consumo -, e evitam tragédias e mal-estar no cesto da fruta de muita gente.

Abreijo.

3 comentários:

  1. Viva a acentuação! Senão, isso correria mal...

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  2. "e os pensos higiénicos (a julgar pela cor, nunca provei...) "
    epá... -.-

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A cada comentário morre uma criança em África, relativamente a cenas.
Veja lá o que vai fazer.