terça-feira, 26 de julho de 2011

Meias-macaquices.

Tenho tantas saudades vossas que só o pensar escrever de novo para vós já me faz tremer os joelhos. O que até nem é assim tão mau, visto que vos escrevo bem sentado e com um sentimento de profunda preguiça, que só a mim me é característica. Assim, até os tremores dos joelhos se mostram preguiçosos e, no fundo, não existem.
Portanto, e depois desta introdução que de útil tem muito pouco, qual Batatinha num qualquer evento com o propósito de animação, comecemos então pelo que realmente interessa, pelo menos para mim. Há um factor que me caracteriza, um aspecto pelo qual me rejo todos os dias e que me define enquanto ser único e estonteante que sou: nutro uma afeição muito grande pelo sexo feminino. Sim, é verdade! Era capaz de pegar nas mulheres de todo o Mundo e fazer uma metragem tão longa quanto o nariz do Júlio Isidro, os dentes do Júlio Isidro, a altura do Júlio Isidro... Caraças, que o gajo é mesmo estranho...
No entanto, há coisas pelas quais já deixei de tentar exigir uma explicação, coisas que esse mesmo sexo vê como adquiridas e que, pelo menos para mim, continuam a ser tão incógnitas como o porquê dos Teletubbies terem sequer sido inventados - encaremos os factos, toda aquela série é ridícula. Estarei eu a falar da sua pré-disposição para o drama? Do seu tão mal-amado amor (passo a redundância) por compras? Das suas dores de cabeça - espontâneas ou não - mal o companheiro chega à cama? Não. Estou a falar, pura e simplesmente, da sua ideia de estética, de simetria visual em relação ao seu próprio corpo.
Mais propriamente, refiro-me à sua ideia de depilação bem feita, dos pêlos que se devem ou não retirar. Não me interpretem mal, adoro uma mulher que não me provoque cócegas quando lhe toco, nem que me prenda os dedos nos pêlos quando lhe afago as pernas. Não percebo, no entanto, e mais concretamente, a sua recusa em fazer a depilação aos braços. Mulheres, com todo o respeito: qual é a distinção que fazem entre os restantes pêlos do corpo e os pêlos dos braços? Até entendia se encarassem os pêlos dos braços como alguns indianos encaram as vacas. Mas visto que não me parece ser esse o caso, porquê querer mantê-los?
Obtive respostas de que ao depilar os braços os pêlos cresceriam mais fortes, e que portanto era melhor mantê-los tão puros como o bigode de um miúdo de 14 anos que aprendeu agora a usar a Internet para pesquisar coisas que os seus avós condenariam por completo. Para além de relativa, esta ideia é, muito simplesmente, estúpida. Se depilar as pernas é aceitável, nesse sentido, o que é que os braços têm de muito diferente? E não me digam que a razão principal é pelos braços serem mais observáveis do que as pernas, num contexto social. Se toda a gente fosse como eu, o primeiro sítio de avaliação que consideravam em relação ao sexo oposto seria as pernas. Para além disso, todos sabemos que chegam a haver mulheres que mostram mais as pernas do que os braços, de tão orgulhosas que estão dos seus membros inferiores. E não as vemos a conservar os pêlos das pernas intactos com medo de se tornarem no pé-de-feijão gigante da história do João.
Ainda há as "espertas", as que decidem alourar os pêlos na expectativa de que fiquem menos visíveis. Fazer isso é o mesmo que ser o Francisco Louçã, na esperança de fazer ouvir as suas ideias: é apenas estar enganar-se a si próprio. Pintar os pêlos de loiro, para além de vos dar um ar de pré-adolescência, também vos dá um ar de desleixo, de desespero por tentar esconder algo da forma menos trabalhosa possível.
Sim, já referi que nutro muito carinho e admiração pelo sexo feminino. E também não desgosto de símios, por exemplo. Mas a junção de ambos já me parece forçada. Mulheres: deixem que sejam apenas os culturistas a parecer macacos, da cintura para cima. Em vocês, as que querem parecer realmente femininas, fica-vos muito mal.

Sinceramente,
Um fã preocupado.

Maketai,
Abreijo.

domingo, 13 de março de 2011

Vitinho alternativo.

Oh, que fofos! Fizeram um clique qualquer que vos trouxe directamente a este meu humilde mundo? Vejam lá, se vos custou assim muito. Chegaram bem, a viagem foi boa e agradável? Aceitaram cacahuetes da menina do "Chá, café, laranjada?". Se não, deviam - são divinais!
Pronto. Apesar de todo o meu apreço e respeito pela comunidade, deixemo-nos de "mariquices". Vamo-nos divertir? Vamos, com certeza. Pelo menos eu vou, visto que gravei o último episódio de uma das vinte novelas da noite da TVI e aprecio muito toda a comédia - vulgo, "ridicularidade" - intrínseca aos momentos dramáticos das tramas. Isto até poderia ser um trava-línguas, mas não me apetece muito encará-lo como tal. Decidam vocês...
Ora, não é novidade nenhuma que o ser humano é sádico, que é mesquinho, que adora ver na queda de alguns o engrandecimento de outros. E é-o, incrivelmente, mesmo deitado na cama. É verdade, meus amigos/conhecidos/low-lives que vêm aqui só porque sim, mesmo a adormecer muitos de nós conseguimos ser maus, cruéis até. Diga-me lá, caro leitor, se não é daquelas pessoas que apreciam ouvir a chuva a bater na janela quando está deitado na cama, naquele limbo entre a realidade da qual faz parte, não muito felizmente, a Paula Bobone, e a terra dos sonhos (ou, em alguns casos, os extensos pastos de estupefacientes). Não quero que me interprete mal, caro leitor. A nossa relação até agora até tem sido muito boa e gratificante, e aposto que sem a sua presença neste meu espaço, a minha vida não seria a mesma e eu já teria ido a um qualquer supermercado comprar lâminas de barbear para fazer uso delas (e, visto que não sou possuidor de elevadas quantias de fios capilares faciais, penso que deduzirá rapidamente o que eu quis dizer com isto). No entanto, ambos sabemos que as relações não são perfeitas, e são pequenas/grandes coisas como esta que me desagradam em si.
Senão, pense: Enquanto você se congratula por estar sozinho na cama (sim, porque alguém que estivesse acompanhado, dificilmente prestaria atenção ao débil som da chuva, a menos que ela fosse tão forte como as lágrimas de Luís de Camões ao ver todos os erros ortográficos que os jovens de hoje em dia decidem cometer nas inúmeras redes sociais) a ouvir a chuva bater-lhe na janela, o que é feito do pobre coitado que acabou de ser expulso pela janela da casa da amante porque o marido da senhora quase os apanhou a fazer aquilo que eu gosto de classificar como "contorcionismo exacerbado"? Para além de toda esta situação desagradável, terá agora que levar com a chuva quase nu, pois não teve tempo de levar toda a roupa com ele. E, para além disso e não menos importante, a minha casa, que, a longo prazo, terá que ser pintada mais frequentemente, por causa da chuva e das "patadas" dos gatinhos que decidem ir passear na lama à lá Brad Pitt em início de carreira e transportar metade dessa mesma matéria para as paredes do meu lar. Nisso não pensam, vocês.
No entanto, tenho uma solução que, se levada a sério, vos poderá ser útil. Ora cá vai, e seja o que Chuck Norris quiser: Substituir cada pingo de chuva por um próprio gato. Deste modo, as leis da física tornavam quase impossível a inclinação dos mesmos em direcção à vossa janela e, para além disso, o som seria um pouco diferente a cada "pingo", tornando a coisa muito mais interessante e divertida. Seria uma espécie de jogo de identificação de sons, no qual o leitor tentava adivinhar como teria caído o gato no chão. Se o som fosse muito abafado, decerto que teria caído de face, e por aí adiante. Numa outra hipótese, poderíamos esventrar os gatos ainda antes de caírem, e quando deitado na cama o leitor poderia identificar o som do coração, da orelha direita ou, mesmo, de um qualquer dos intestinos (este último seria mais fácil de identificar, visto que seria um som muito mais longo e duradouro que os restantes). Veja lá bem, caro leitor, que até estou disposto a pintar a minha casa de vermelho, ou a revesti-la com cola de modo a condizer com esse mesmo fenómeno climático. Quando me perguntassem de que cor tinha eu pintado a minha casa, eu diria orgulhosamente e com um largo sorriso no rosto: "De chat de ciel!".
Pronto, era isto que tinha para vocês hoje, meus caros. Para, mais uma vez, vos apontar os vossos defeitos e realçar os meus, como a minha mente relativamente sádica ou o meu ódio por gatos (se bem que eu continuo a considerar ambos virtudes). Para, portanto, preencher as vossas vidas e as vossas lacunas mentais com ideias e projectos que, não deixando de ser fantásticos, decerto não irão para a frente, pelo menos não neste país. O que é inconcebível e, ao mesmo tempo, me deixa descansado, visto que assim não sou conhecido como alvo de ribalta num país onde ainda dão trabalho em televisão à Bárbara Guimarães.

Dankon,
Abreijo.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Atrasos progressistas.

Chamem-me antiquado. Vá, chamem-me antiquado! Chamem-me tradicionalista, atrasado, cota, avô, fóssil, D. Duarte Pio... o que quiserem.
Agora peçam desculpa. Não estou aqui para ser insultado. Ando eu aqui a tentar entreter-vos e é assim que me agradecem? Mal-educados!
Pronto, admito que no que toca a alguns assuntos possa ser um pouco apologista do antigo, mas penso que o sou em áreas em que, realmente, o antigo é melhor que o novo. É claro que há coisas que, como dizia o já saudoso Carlos Silvino, quanto mais novas melhor, como um belo par de meias, os seios de uma holandesa ou, mesmo, a carreira do Maradona antes da sua obsessão pela palavra "branco".
No entanto, penso que a maluqueira das novas tecnologias às vezes exagera. É como aquelas crianças que, "quando se dá uma mão, querem logo o braço" (adoro esta expressão... relembra-me os tempos em que a Alemanha jogava paintball pela Europa, mas a sério). Senão, vejamos: Quando os progressos tecnológicos nos introduziram no Mundo dos telemóveis e dos computadores portáteis, veio Steve Jobs, um homem que - por falta de imaginação, talvez - decidiu criar uma empresa com nome de um dos ingredientes de tarte de maçã e alterar completamente a ordem e estrutura destes mesmos aparelhos, bem como as suas funções básicas.
Hoje em dia, e graças a este senhor, temos telemóveis que imitam flautas e copos de cerveja. A última vez que vi alguém levar o telemóvel à boca de tal forma remonta aos tempos em que os telemóveis ainda tinham antenas, e os jogos do Benfica ainda eram interessantes ao ponto de roermos essas mesmas antenas quase até ao botão "3def" do telemóvel; Graças a este senhor, hoje em dia podemo-nos congratular por nos terem sido impingidas umas "cenas" estranhas, que nem computadores nem telemóveis são. Estes aparelhos, denominados por iPad's, são aquilo que eu gosto de chamar "o cúmulo das ideias atrapalhadamente inúteis", pois ficamos então com um aparelho que, ao fundir um telemóvel com um computador portátil, não aproveita nenhum dos propósitos pelos quais ambos foram construídos. De facto, a junção do melhor destes dois aparelhos iria pressupor a criação de um outro aparelho que realizasse chamadas telefónicas e no qual eu pudesse jogar todo o tipo de jogos com violência tão realista como o estado da cara de um adepto do Benfica depois de uma partida de golfe com um apoiante do F.C.Porto.
Por pura ironia ou mesmo só para contrariar, Steve Jobs decidiu criar um aparelho que não serve para nada disso. É, portanto, um instrumento cujas funções se encontram naquele limbo, naquela coisa de: "Isto serve para quê, então? Não sei, mas como é novo, deve ser bom". De facto, até as já tão badaladas pulseiras Power Balance têm propósitos (embora hipotéticos) mais bem definidos do que o próprio iPad. Com a Power Balance, poderei afirmar (se for parvo, claro): "Ah e tal, esta pulseira está mesmo a cumprir o seu objectivo de me alinhar os chakras, e os karmas, e as curvas dos intestinos", e mais não sei o quê; Com o iPad, apenas poderei afirmar: "Ah e tal, este aparelho está mesmo a cumprir o seu objectivo de... err, portanto... fazer... hã, tipo... ya."
Há, ainda, um outro aspecto que me chateia imenso, mais do que qualquer falta de brindes efectivamente divertidos nos ovos Kinder: Porquê insistir nos aparelhos sem botões?! Deparei-me com o cúmulo desta insistência quando, recentemente, me dirigi a uma loja do meu operador telefónico a fim de comprar um novo telemóvel, visto que o meu tinha andado uns dias antes com más companhias e começou a agir de forma estranha, a ver gafanhotos gigantes e a chamar "normal e equilibrado" ao Renato Seabra (já cá faltava a menção ao assunto). De facto, ao chegar lá reparei que já não havia telemóveis com botões palpáveis, com saliências que, ao serem tocadas, pudessem contribuir para alterar o estado do software (até parece que percebo da cena) do telemóvel. Todos os telemóveis que lá havia eram apenas ecrãs com esteróides, grandes demais para o que estou habituado. Na minha ignorância, até pensei em comprar um controlo remoto para acender o ecrã, visto que o aparelho carecia de muitas mais outras formas de se ligar. Pensei, até, em gritar com ele até ele decidir acender-se, mas visto que tinha o bilhete número 24 e o balcão ainda mostrava o número 11, achei melhor não incomodar as restantes 13 pessoas que esperavam impacientemente à minha frente enquanto dançavam o Vira umas com as outras para matar o tempo.
Antigamente (e cá estou eu outra vez a dar ares de ser muito adulto), um dos botões do nosso telemóvel deixava de funcionar e nós reavivava-mos o bichinho à porrada. Se isto não resultasse e o telemóvel acabasse por ficar inutilizável, podíamos sempre pagar um tanto para, então sim, consertá-lo na íntegra. Hoje em dia nem existem botões para ficar avariados. Se uma pessoa tiver um problema com um dos botões, lá terá que mandar todo o telemóvel, com toda a sua pompa e circunstância de aparelho pseudo-avançado, para a loja, ficando apenas dependente de telefones públicos ou da voz da Teresa Guilherme em caso de surgimento de alguma emergência. Estaremos nós assim tão carentes em termos afectivos que precisemos acariciar uma superfície plana durante 15 minutos só para conseguir escrever um "T"?
Imagino que já devam estar cansados de ler, de tão extenso que é este texto. No entanto, é de aproveitar, porque quando substituírem por completo estes botões do teclado através do qual qual vos escrevo por um super raio-laser-x-infravermelho que escreve sem ser necessário usar as mãos, deixarão de ouvir falar de mim.

Hvala,
Abreijo.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Conversações auditivas.

Olá, tudo bem?
Escusam de responder, não estou realmente interessado. Estava só a tentar ser simpático. O que achei? Não gosto, prefiro voltar ao meu registo habitual.
E que melhor maneira de começar senão realizando outra crítica extremamente mordaz e estonteantemente gira à nossa sociedade contemporânea?! Vamos a isso? Vamos, com certeza. Deixem-me só acabar de amarrar os sapatos e escovar os dentes ao Relâmpago, o meu porquinho-da-índia de estimação e totalmente inventado à última da hora para encher texto.
Eu gosto de música. Eu gosto de ouvir música. Tal como Jessica Tate da série americana Soap, gostaria que a minha vida tivesse uma banda sonora própria. Nos dias de hoje esta actividade tornou-se cada vez mais realizável, começaram a surgir walkmans, mp3, iPhones, a voz da Júlia Pinheiro... Enfim, variadíssimos métodos de conseguirmos ouvir todo o tipo de registos sonoros a vários quilómetros de distância das nossas casas.
Ainda, houve uns meninos que, talvez por não partilharem o mesmo amor pela música e estarem fartos de ouvir pelas ruas os diferentes gostos musicais de variadíssimas pessoas, decidiram inventar auriculares, umas coisinhas que permitem aos seus utilizadores desfrutar das músicas que aprenderam a gostar sem precisar de incomodar os outros. É óbvio que, como todas as invenções (para além da Mulher, que disso não necessita), este aparelho sofreu alterações, foi sendo aperfeiçoado, tornando-se mais actual, mais discreto, mais cómodo. De facto, as monstruosidades que antigamente colocávamos nos ouvidos para ouvir música e que nos faziam pressão na cabeça foram transformadas em aparelhos tão simples como o cérebro do Cláudio Ramos, transformados em simples fios que na ponta têm uns pequenos "microfones invertidos" que enfiamos nos ouvidos.
E é aqui que se dá uma reviravolta protagonizada por pessoas que, ou acham que ainda estão em 1990 ou têm problemas graves de "frieiras" nos ouvidos. São pessoas que, mesmo nos dias de hoje, continuam a usar os auriculares gigantes, aquilo que eu gosto de chamar de mola capilar, que nos aperta e afronta a cabeça e nos faz parecer parvos (ou alpinistas que almejam chegar ao cume de um qualquer monte dos Himalaias). A menos que sejam DJ's, nesse caso serão encarados como parvos de qualquer maneira, com ou sem auriculares gigantes.
Ainda, há quem passe o dia todo com tais tampões de ouvidos gigantes à volta do pescoço, afirmando que apenas os usam para o "estilo". E a minha pergunta é esta: Vocês odeiam mesmo a vossa vida ou apenas acham que parecer ridículos até é giro? Se querem usar algo ao pescoço, usem um cordão, um fio de ouro, um dente de tubarão ou, mesmo, uma corda de enforcamento. É-me indiferente, desde que deixem de agir como os velhos de barbas e pêlos do nariz brancos e repugnar todo e qualquer tipo de avanço tecnológico criado pelo Homem.
Encarem isto como um conselho, uma dica de como viver melhor e ser socialmente aceite, ao invés de agirem como verdadeiros lesados mentais com antropofobia, agorafobia ou outras quaisquer fobias que vos impeçam de agir como os restantes seres humanos.

Shukran,
Abreijo.

Réveillução.

"Ah e tal, vem aí um ano novo. Diogo, vais deixar de te armar em parvo e fazer da 'simpatia para com o Mundo' uma das tuas resoluções?"
- Primeiro: Não vos conheço de lado nenhum para me estarem a insultar desta maneira. Comportem-se!
- Segundo: Pelo amor de Alguém (não quero ferir susceptibilidades), não sejam parvos! Sim, eu faço disso uma das minhas resoluções se vocês prometerem que deixam as palhaçadas para o pessoal do Soleil, profissional e experiente na coisa.
O texto de hoje traz-vos uma infinidade de propostas, um verdadeiro rodízio de bons conselhos e úteis (espécies de) ensinamentos, pensados para mim mas que eu quero ver partilhados por e para vocês. Isto porque, na verdade, eu sou um mãos largas, meus amigos. Literalmente? Também.
É uma teoria complicada, a que vos trago, mas tentem acompanhar o meu complicado mas fantástico raciocínio: Porquê mudar de ano se podemos aproveitar tudo o que os anos futuros têm para nos oferecer num único ano? Imaginem, não era excelente se tivéssemos ficado em 2009 e ficássemos a ter conhecimento do iPad um ano antes? Não era fantástico se tivéssemos ficado em 2000 e ficássemos a saber da queda do World Trade Center um ano antes? Mais, não seria giro ficarmos em 2011 e ficarmos a conhecer os carros voadores, a salvação da economia portuguesa (isto é só a minha fé a trabalhar...) e a já há muito aguardada transformação da Lili Caneças num andróide?
É por isto que eu não queria abandonar 2010, meus caros... Se tivesse lá ficado, hoje poderia dizer que levei com o aumento do IVA primeiro do que toda a gente, ainda em 2010. Poderia, também, dizer que fui a primeira pessoa a atestar o depósito do carro a 1,347€ o litro (ou pelo menos fui a primeira pessoa a fingir fazê-lo, pois ainda sou cliente frequente daquelas discotecas ambulantes que fazem questão de se mexem por nós, vulgo autocarros). Poderia, até, dizer que vi o Benfica ser campeão duas vezes no mesmo ano (2010), um ano antes do que a própria equipa. Pensem: Preferem ser originais e poder dizer que viveram tudo o que há para viver primeiro do que o resto das pessoas ou preferem ser medianos, vivendo e descobrindo tudo ao mesmo tempo que as outras pessoas e em anos muito posteriores?
É esta a minha causa, é por isto que luto e é por isto que vos abro os olhos para que, então, se juntem a mim: Vamos acabar com a expressão "Ano Novo". Vamos manter-nos sempre no mesmo ano, o ano velho. Vamos fazer deste ano um ano que consiste em décadas, em séculos, em milénios. No ano de 3514, ainda estaremos (não nós, mas certamente a Lili Caneças-Robô) no ano de 2011, um ano recheado de coisas novas, de imensa originalidade contida em apenas 365 hipotéticos dias.
Vamos lutar contra a mediania, vamos marcar para a História a geração da "Originalidade de 2011"! Vamos contribuir para que os nossos filhos, os nossos netos e os nossos bisnetos-andróides tenham menos trabalho em decorar datas históricas; façamos com que tudo aconteça num único ano. Se não for por isto, então que seja simplesmente para contrariar as profecias Maia do fim do Mundo. Que o Mundo acabe em 2011, em vez de 2012. Vamos mostrar aos Maias (os antigos, não os do livro) quem manda, nos dias de hoje.

Mauliate,
Abreijo.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Devaneios natalícios.

O Natal é uma altura mágica, um verdadeiro regalo para os olhos, para o gosto, para o nariz, para a audição e, até, para o tacto, ao passarmos a mão pelo rabo e sentirmos a carteira fininha e vazia no bolso de trás das calças.
No entanto, e por muito bom que isto possa parecer - até no aspecto da carteira, pois permite que nos sentemos sem nos preocuparmos com a possibilidade ou não de partir o cartão de crédito - existem facetas da estupidez humana que apenas se acentuam ainda mais nesta altura do ano, ideias (mal) pensadas especialmente para esta quadra repleta de quantidades enormes de alegria e de mais dígitos na conta da electricidade.
Falo, obviamente (e se o caro leitor ainda não adivinhou, ou não costuma vaguear por este blogue ou tem níveis de Q.I. iguais ao número de calorias numa folha de alface), na tradição dos presépios vivos. Ora, há seres vivos aos quais eu até perdoo o facto de não se mexerem, de ficarem uma vida toda no mesmo sítio a levar com Sol, com vento ou, mesmo, com todo o microclima que se criou à volta da barriga do Fernando Mendes. No entanto, até estes seres conseguem realizar actividades minimamente... activas vá, seja a fotossíntese, o crescimento de frutos, a emanação de oxigénio ou, mesmo, a capacidade de correr atrás de uma bola com outros 10 companheiros e atribuir a si próprio o título de "jogador da Selecção Nacional" (já que estamos a falar em "florzinhas").
O ser humano, porém - e tinha eu esta ideia -, caracteriza-se por ser uma das excepções à regra. Ele deve-se mexer, fazer, realizar, aproveitar-se do facto de lhe terem sido atribuídos membros - quatro, regra geral; se bem que possam haver excepções (já aqui faltava o belo do humor negro) - para contribuir em algo para a manutenção do modo de vida no nosso Planeta Azul. Não querendo apontar o dedo a ninguém, é óbvio que há pessoas que deviam morrer com pauzinhos de gelado entalados na garganta, pelas atrocidades que proporcionam à vida e vivência humana (Bush), mas ainda sonho com o dia em que o Mundo será regido pelo pessoal da Greenpeace a par com a Polícia Internacional da União das Verduras (PIUV).
No entanto, e voltando ao tema, gostaria que me respondessem a uma pergunta: Os presépios vivos não têm o intuito de mostrar cenários bíblicos de outra forma que não com figuras feitas em barro e com pinturas muito mal feitas? À primeira vista, apontaria para uma resposta afirmativa. No entanto, alguém muito esperto decidiu que os presépios vivos deveriam ser exactamente a mesma coisa, mas com seres humanos a fazer de estátuas. Ou seja, substituiu-se as figuras em barro por seres humanos, mas a imobilização manteve-se.
"E porque é que isto te indigna?", perguntam-me vocês mas em voz alta porque estou a ouvir a Stayin' Alive dos Bee Gees a altos berros (o volume até está baixo, o vocalista é que consegue irromper pelas colunas como qualquer homem com mais de 50€ por entre qualquer réstia de bom-senso que ainda possa existir dentro da Elsa Raposo). Indigna-me porque quando vou ver um presépio vivo espero sempre mais animação: três reis magos em cima de camelos e a falar sobre a situação política nos seus reinos, um burro e uma vaca em despique para ver quem dá coices mais fortes ou, até, e à falta de melhor, muitas luzes, música a altos berros e bebidas efeminadas, para dar um ar mais moderno à coisa.
Tantos caracteres para dizer o quê? Deixem de chamar aquilo de presépio vivo, passem a chamar de presépio imóvel, staring contest, exemplificação dos níveis de alegria nas festas da Lux. Enfim, algo que me faça acreditar em qualquer réstia de sanidade humana, pelo menos na época do Natal.

Xie xie,
Abreijo.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Habemus Papam.

Após todas as reclamações que tenho feito ao longo de todos estes textos, muitos de vocês devem estar a pensar que, ora eu sou lindo por fora (o que realmente é verdade), ora que pareço um velho rabugento por dentro, daqueles cujos pêlos nos ouvidos lhes impedem de ouvir à primeira o que lhes dizemos e que nunca estão contentes com nada.
No entanto, eu não sou assim. Pelo contrário, sou amante da vida, apologista de que vivamos todos mais tempo e que possamos colonizar um outro planeta (ou Plutão...) para escoar os restos da sobre-população. Ainda, sou apologista da continuação da existência de oxigénio, essencial para a vida humana e produto que mais ingerimos no nosso dia-a-dia. Sem contar, claro, com o Jorge Palma... esse consegue mesmo ingerir mais J&B por minuto do que oxigénio.
Mas é aqui que a minha opinião difere da de muito boa gente. A ver se nos entendemos: Oxigénio NÃO É o que sai da ponta dos cigarros, meus fofos. Sim, é verdade que o oxigénio vem das plantas, mas não é preciso picá-las e fumá-las para o obtermos. Muito menos será preciso juntar alcatrão para que o processo de respiração se dê com mais prazer e satisfação.
Isto tudo para dizer o quê? É muito simples: Deixem de fumar na minha cara! A menos que esteja a sufocar com água do mar depois de a Pamela Anderson me ter retirado de lá, não quero que me soprem na cara. Se não quero que me "bufem" o próprio oxigénio na cara, pois sou perfeitamente capaz de o angariar pelos meus próprios meios, fumo de tabaco muito menos. Admito que a profissão de exaustor sempre me foi apelativa, quando era miúdo. Queria ser bombeiro como o meu pai ou exaustor como o meu fogão. Mas, se fosse pago para isso! No entanto, duas décadas a levar com fumo de todas as direcções fez-me abrir os olhos e perceber que não tinha estofo para singrar na carreira de exaustor.
No fundo, o que eu quero dizer é isto: Em vez de me atirarem fumo à cara 365 (ou 366, depende) dias por ano, atirem-me apenas no Natal ou na Páscoa. Assim, fico contente por receber uma coisa diferente e passo a encarar-vos com outros olhos, pois fico a pensar que são dotados de originalidade.
Se querem fumar, fumem. Mas não me obriguem a tratar mal os meus pulmões que tanto me têm ajudado por causa dos vossos caprichos.

Mamnoon,
Abreijo.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Condutas horripilantes.

Ai, sociedade sociedade... O que vale é que enquanto existires, este blogue terá sempre assuntos para debater. Quer dizer... cenas, vá.
O assunto que lhe trago hoje, caro leitor, é um assunto que poderá estar ligado ou não ao do post anterior. Isso agora é consigo, não queira que eu venha aqui matar-me a escrever e ainda escolher por si.
Visto que a maior parte dos meus textos contêm uma quantidade razoável de questões, decidi começar este mesmo texto com uma exclamação, só para dar uma certa ideia de "inovação" à coisa: As pessoas que vêem filmes de terror são estúpidas! E são estúpidas porquê? (Ora aqui está a bela da questão, para não destoar dos restantes textos). Vejamos: O leitor gostava que eu lhe aparecesse por detrás da porta da cozinha quando estivesse a preparar uma sandes de coentros (ou seja lá o que você costuma comer) empunhando uma faca e gritando "ALELUIA, ALELUIA, A MÁQUINA DE LAVAR LOIÇA JÁ ESTÁ NA FASE DA SECAGEM!"? Se estiver inclinado a dizer-me que sim, então é melhor parar de ler e ligar ao professor Bambo para que ele preveja se o seu futuro será mesmo estar deitado numa das camas do manicómio. Se, por outro lado, decidir responder que não, então porquê ir ao cinema ver isso acontecer, ainda que ficticiamente, a outras pessoas? Gosta de ver outras pessoas sofrer, é isso? Pensando bem, ligue ao professor Bambo de qualquer maneira, seu sádico...
Porque, é o seguinte... Não sei se isto é só de mim, mas um dos sentimentos que não coadunam propriamente com a minha pessoa é o medo, o receio, a apreensão. E como não me encaixo lá muito bem com estes sentimentos, prefiro evita-los ao máximo no meu dia a dia, dentro dos possíveis. E é aí que entra (ou não, decida-se) o leitor: Enquanto eu faço os possíveis para não ter sustos, há... BESTAS que pagam 5€ (preço standard, não contando com os belos dos filmes 3D) para passarem no mínimo 1:30h a assustarem-se. Falo, obviamente, nos filmes de terror de "qualidade", se assim lhes podemos chamar, porque há alguns que chegam a ser ridículos. Mas nem assim pagaria 5€ para os ver, porque para ridícula já basta a minha (tentativa de) barba. Se quero ver cenas ridículas, guardo os 5€ do filme na carteira e fico a olhar-me ao espelho, do nariz para baixo. A minha barba sim, era capaz até de assustar o próprio Tim Gunn, ou mesmo um ou dois daqueles senhores alemães que participam naqueles concursos de barbas anuais (os concursos, não as barbas).
Para terminar, até porque tempo é dinheiro e de dinheiro preciso eu (daí a ideia que se segue), deixo-vos, portanto, uma proposta que, para além de ser benéfica para todos nós, era capaz de atenuar o sentimento de revolta que sinto pelas pessoas que se querem assustar de forma deliberada: Em vez de pagarem 5€ para ver um filme de terror num ambiente tão impessoal e tão pouco comunicativo como uma sala de cinema, dêem-me esses mesmos 5€ e podem ficar a olhar para a minha barba enquanto falamos sobre como ela é ridícula e irregular. Assim, gastam na mesma os 5€ mas conseguem assustar-se e divertir-se em simultâneo, enquanto falam com uma pessoa interessantíssima e com muito para dar. Excepto latas de atum e de milho, que essas são os pilares estruturantes da minha alimentação.
Por fim, e prometo que agora é a sério, deixo-vos com uma questão estúpida e que, ao mesmo tempo, serve para encher texto: advirá a palavra "coitado" da palavra "coito"? E se sim, será esse realmente um bom nome para se chamar a alguém que esteja a passar por dificuldades na vida?
Pensem nisso, da próxima vez que decidirem usar umas palavras quaisquer assim "à maluca" para adjectivar alguém...

Arigato,
Abreijo.

domingo, 24 de outubro de 2010

Contra-corrente.

Detesto vampiros. Detesto séries de vampiros. Detesto filmes de vampiros. Detesto livros de vampiros. Detesto fotografias de vampiros (e essas nem existem, pois eles supostamente não aparecem nas fotos). Estou, basicamente, enjoado de vampiros. Mas às vezes dava jeito ser um.
Como estudante universitário, pelo menos por agora, é normal que não tenha qualquer rigorosidade no cumprimento de horários. Por mim, era esquecermos todos os conceitos que adquirimos sobre horas e minutos e instaurar uma espécie de anarquia temporal. No entanto, e visto que tal não parece vir a acontecer, pelo menos num futuro próximo, penso que devíamos optar por uma opção que a mim me parece mais fácil e organizada: Sermos todos corridos a dentadas de vampiros.
Eu sei que vão já começar a dizer: "Ah e tal, mas como é que chegamos ao pé de um vampiro se eles andam sempre muito escondidos?". Calem-se, pá! Deixem-me falar! Bem, é muito simples: Fotocopiamos autorizações e termos de responsabilidade para entregar aos menores. Marcamos uma hora e encontramo-nos todos em frente ao terminal do Aeroporto de Lisboa (tragam lanches, pois pode-vos dar aquela "larica". E já se sabe que a comida do aeroporto é caríssima). Depois de fazermos a chamada e de contarmos as pessoas todas, é irmos à Transilvânia e seguirmos as indicações do senhor Bram Stoker sobre como chegar à morada do Sr. Drácula. Chegados lá, batemos à porta e pedimos ao mordomo corcunda que nos marque uma reunião com o seu mestre (é muito ocupado, ele). Se formos aceites ele desata a morder pescoços, e quando estiver cheio voltamos para casa.
Ao voltar para Portugal, agora vampiros, imaginem só as vantagens que não teríamos. Passaríamos a dormir de dia e a "viver" à noite. Em épocas como a Festa das Latas ou a Queima das Fitas isso seria perfeito. Para além disso, o podermos tornar-nos em morcegos impedia que não conseguíssemos ver os concertos. Lugar, tínhamos sempre. E se algum outro morcego estivesse à nossa frente, voava-mos um pouco para a esquerda, para a direita, para cima ou para baixo e já conseguíamos ver. Ainda, imaginem só o que não poupava-mos (até porque estamos em crise) em bebidas. Mordíamo-nos uns aos outros (cuidado com as interpretações...) e saciávamos tanto a fome como a sede.
Basicamente o que quero dizer é isto: Deixem-se de histórias de vampiros, de contos hipotéticos. Se querem falar em vampiros, falem a sério. Sejam vampiros e criem as vossas próprias histórias.
É com este apelo sincero e, de certa forma, poético que vos deixo.

Spasibo,
Abreijo.

sábado, 2 de outubro de 2010

Questões contemporâneas.

Ao longo da minha não tão longa vida tenho-me deparado com grandes questões para as quais, ainda hoje, nunca encontrei respostas, escolhas que nunca consegui fazer por ter medo das consequências. Um desses dilemas, e que sempre me assombrou durante toda a vida, é a técnica de urinar em pé numa sanita.
Antes que comecem com piadas: Não, o meu problema não é a falta de órgão que o permita, nem nada que se pareça. O que me faz confusão, isso sim, é como o fazer da forma mais limpa possível, sem ter que gastar meio litro de lixívia para limpar após ter acabado. Isto porquê? Todos os homens sabem que é impossível urinar (reparem que estou a tentar evitar o tal verbo que todos nós usamos) em pé sem respingar a sanita. Nem é uma questão de pontaria, sequer. Mesmo que um homem tenha a pontaria do Tiger Woods (quer para os buracos de golfe, quer para os... outros buracos) vai sempre respingar a sanita. Não há como contornar tal facto.
O problema é muito simples: Quer urinemos apontando directamente para a água, quer urinemos apontando para a loiça, nunca o resto da sanita vai ficar isenta de alguns salpicos.
Claro que falo no uso das sanitas privadas, as de casa. Quando usamos as outras nem nos importamos que elas fiquem da cor da Leopoldina (aquela da altura do Natal) e, se for preciso, até apontamos para fora de propósito, só para nos sentirmos minimamente rebeldes. E porquê? Porque, muito simplesmente, não somos nós quem as vai limpar a seguir.
No que toca às nossas próprias sanitas, no entanto, o caso muda de figura. Ora, sendo homens e urinando de pé para despachar, acham que queremos ter que perder tempo a limpar a seguir? Claro que não. Daí que este seja, para nós, um grande dilema: Urinar em pé e ter que perder tempo a limpar a seguir ou urinar sentado mas ter que perder tempo a tirar as calças e a sentar-se? Para já não falar nas pessoas que sofrem dos joelhos, para quem o acto de sentar é muito custoso.
Sim, a vida é feita de escolhas. Mas em questões como estas é extremamente difícil decidir. Escolher como e para onde urinar pode ser um verdadeiro pesadelo na vida dos homens mais indecisos. É preciso ter uma grande força de vontade e uma capacidade de decisão sob pressão de aço.
Tudo isto para demonstrar que a vida de um homem não é assim tão fácil como algumas mulheres pensam. Sim, são vocês quem tem as dores de parto, mas somos nós que enfrentamos questões tão difíceis e cruciais no bom funcionamento da sociedade contemporânea quanto estas.

Merci,
Abreijo.